terça-feira, fevereiro 10, 2009

Como expandir sua mente saxofonística com o ciclos das 4º quartas.






Para você que não leu ainda, procure o artigo aqui no blog: Um bate-papo com o saxbrothers João Pipe, esclarecimento para você que não sabe sobre o ciclo das quartas.


Acontece muito um engessamento no modo de tocar, e para os saxofonistas iniciantes no mundo da improvisação algumas limitações na hora de tocar músicas com diferentes tons, e consecutivamente diferentes digitações.


Também acontece de não ser nem limitação técnica, mas uma falta de treino mental, ou seja, ele sabe tocar todos os tons, mas na hora da música, na que os acordes vão aparecendo, o pensamento não acompanha, e se o cérebro não mandar informação, o dedo não vai, certo?


Pensando nesse “desalinhamento” entre técnica e pensamento, vai um exercícios que possibilitará você corrigir sua mente, e treinar sua mente saxofonística, usando o famoso ciclo de quartas. Como no relógio abaixo, que vamos usa-lo de forma anti-horário.



Vamos usar o padrão de arpejos maiores 7+.























Veja que iniciei pelo C7+, depois que você repetir, tente tocar sem olhar, porque a intenção é essa, é tentar memorizar, no começo pode haver uma demora em tocar de um arpejo para outro, porque você precisará pensar, qual é será o próximo arpejo....


Até atingir o primeiro objetivo de tocar do início ao fim sem parar.


O próximo passo será começar pela segundo tom anti-horário do nosso relógio dos ciclos, o F.






















Agora compare, os 2 exercícios, que eu toquei as mesmas notas, mas em regiões diferentes, o que isso significa?

Isso levará o seu cérebro e consecutivamente digitação/técnica a váriar ns possibilidades e caminhos diferentes sobre a mesma coisa. Em diversas matérias que você pode encontrar na internet, sobre um melhor aprendizado, é levar a sua mente a criar caminhos criativos sobre a mesma coisa. Com certeza isso ajudará na hora do improviso, e no aumento do teu nível técnico.


Para os curiosos:


Lembrei-me de quando um professor me passou essa lição, eu não entendi muito o que era para executar (risos), e estudei da mesma forma como estou abordando aqui, estudei por todos os tons individualmente, ou seja passei pelos mesmo tons, porém em regiões diferentes, isso me levou vários e vários dias. Quando chegou na aula, comecei a tocar esses arpejos, terminando a primeira seqüência falei, agora vou começar pelo F, daí ele falou: como assim?


E continuo dizendo:


Você entendeu como é bom estudar o ciclo de quartas.....(óbviamente que os ciclo das quartas tem muitas outras implicações e aplicações, servindo-nos como uma equação)


Mas “errôneamente” na minha mente eu entendi que o que valia era o início, se eu comecei em C, o mesmo ciclo não valeria se eu começasse pelo F. Ou seja, eu seria obrigado a tocar os mesmo arpejos mas em regiões diferentes.


Mais uma vez sem saber, “estudei além da conta”.....


Mas isso implícitamente, condicionou minha mente a criar uma enorme variedade de caminhos mentais e técnicos.


Quando comecei a estudar Giant Steps, entendi o caminho harmônico e as difentes tonalidades que acontecem nesse tema, tive o desafio apenas da criatividade do fraseado, mas técnicamente não tive problemas.


Fica ai o desafio pra você, a expandir sua mente, e tocar esses arpejos em seqüências e regiões diferentes.


CONTATOS:


Para aulas pela net, é só me adicionar no Skype: wagnerbarbosasax (tudo junto)


visite: www.myspace.com/wagnerbarbosax

segunda-feira, outubro 20, 2008

Um amigo, Saxofone e a Morte













Messias, gente boníssima, conheci e conheço poucas pessoas como ele, coração como se fosse a arca de noé, todos vivem ali, homens e bichos, numa enorme fraternidade.

Lembro-me bem como o conheci, foi numa tarde de domingo, o Andrézin me ligou, e disse: Wagninho você precisa conhecer um camarada, o cara é muito gente boa, faz tempo que quero te apresentar, mas devido a correria, sabe como é, já falei de você para ele, lembra daquela fita que tem o show do Michael Brecker no Brasil? Eu respondi: claro que lembro. O Andrézin continuou: então cara, essa fita é dele.

Não estava fazendo nada naquela tarde, daí fomos lá.

Uma tarde que marcou, o cara me recebeu em sua casa, como se fossemos amigos há muito tempo, logo nos ofereceu um caldo de mocotó, e contando várias “estórias”, colocando suas músicas de baladas dos anos 80, e começamos a tomar várias cervejas, na celebração de seus momentos em sua juventude, logo que surgia um solo de saxofone no meio do som que estavamos ouvindo, puxa vida, a alegria dele era contagiante.

E o papo era demais, Andrézin, João (irmão do Andrezin) e eu, sentiamos moradores de sua humilde casa, na periferia de Sampa, mas para nós, sentiamos estar no banquete dos céus, uma comunhão regada ao molho de muita alegria, sucos de uma variedade de risadas, sobremesa com felicidade e simplicidade, com aquela cobertura de música e granulados de solos de saxofone, tudo que o fazia feliz.

Que tarde, não gosto muito de cerveja, mas nunca uma cerveja foi tão boa.

Daí, começamos a conversar sobre saxofone, e ele tirou seu sax tenor L.A azul, mas é daquele “azul cheguei”, Meu Deeeus.......

Pedi para tocar alguma coisa, mas fazia anos que ele não tocava, palhetas já envelhecidas, mas conseguiu tocar, tocou o que gostava. E cada vez me entusiasmava mais com o Messias, o tempo se quer fazia efeito, nós queríamos era ficar naquele palácio de amizade, naquele momento de contentamento.

Depois que tocou, ele perguntou se eu conhecia o Michael Brecker, eu disse que sim.

O cara era uma figura de simplicidade que disse: O cara é tão rápido, tão bom que chega a ser chato.

Estávamos bebendo tanto, que depois dessa frase, fomos possuídos pela crise do riso (como queria me deitar com essa crise novamente..rs), nós não conseguíamos parar de rir, minha barriga começou a doer, o Andrézin caiu no chão de tanta risada, o João já estava mais pra lá do que pra cá, que foi pro banheiro, o Messias tb ria demais.....
No fim desse encontro com esse novo amigo, voltamos para casa alterados pela cerveja encantada produzida na Fábrica-lar do Messias. Saímos de lá com o próximo encontro marcado. Que nunca mais aconteceu, devido a vida louca de Sampa. Mas sempre comentávamos, puxa precisamos ir ao messias de novo, mas dessa vez, vamos levar o Lazin.

Sempre ficávamos falando para o Lazin sobre o Messias, e contávamos e recontávamos essa “estória”.

No último mês soubemos da notícia de sua súbita doença, e que ele estava na U.T.I, e logo fomos visita-lo.

Ele já estava respirando por aparelhos, mas consciente, e quando entramos no quarto, tivemos um choque, porque ele queria falar com a gente, mas não conseguia, e seu esforço era espantoso, e nós o acalmávamos, brincamos um pouquinho com ele, ao saírmos do hospital, estávamos chocados, pq ali estava um irmão em apuros, Andrézin e eu, queríamos chorar porque era como se fosse parte de nós ali.

Hoje, dia 18 de outubro, de 2008, recebi a notícia de seu falecimento, a primeira sensação, foi de que minha vida ficou menos alegre, porém aliviado de sua dor e com a certeza de que logo quando vamos nos encontrar, e sentar no banquete dos céus e beber novamente e rir muito.

Recebi esse texto do Miguel, escrito por C.S Lewis sobre perder um amigo:

“Lamb diz em algum lugar que se dentre três amigos (A, B e C) , A morresse, então B perde não só A mas também a “parte de A em C”, enquanto C perde não A mas “a parte de A em B”. Em cada um de meus amigos existe algo que somente um outro amigo pode trazer plenamente à tona. Por mim mesmo não sou grande o bastante para fazer com que o homem:

total entre em atividade. Quero outras luzes além da minha para mostrar todas as suas facetas. Agora que Carlos morreu, jamais verei de novo a reação de Ronaldo a uma brincadeira especial de Carolina.

Longe de ter mais de Ronaldo, de tê-lo “ para mim mesmo ” agora que Carlos se ausentou, tenho menos de Ronaldo. Assim sendo, a verdadeira Amizade é o menos ciumento dos amores. Dois amigos ficam contentes quando chega um terceiro e três quando o quarto se reúne a eles, basta que o recém-chegado tenha as necessárias qualificações para tornar- se um verdadeiro amigo.

Eles podem dizer, como as almas abençoadas dizem em Dante: “Está chegando alguém que vai ampliar o nosso amor ”. Pois neste tipo de amor “dividir não é remover”. A escassez de almas afins (para não mencionar as considerações práticas sobre o tamanho dos aposentos e a audibilidade das vozes) naturalmente estabelece limites para a ampliação do circulo; mas dentro desses limites possuímos cada amigo mais e não menos, à medida que aumenta o número daqueles com quem o partilhamos. A Amizade manifesta nisto uma gloriosa “proximidade por semelhança” ao próprio céu onde a multidão dos benditos (que homem algum pode contar) aumenta a fruição que cada um tem de Deus.

Pois cada alma, vendo-o à sua maneira, sem dúvida comunica a todos os restantes essa visão singular.
Essa a razão, conforme um velho autor, por que os serafins na visão de Isaías clamam: “Santo, Santo, Santo” uns para os outros ( Isaías 6: 3).

Quanto mais então dividirmos o Pão Celestial entre nós, tanto mais teremos.”

Essa foi minha amizade com o Messias, e quando todos nós nos reunirmos no banquete dos céus, direi a todos vocês: Esse é o José Messias de quem falei tanto, e que virou “estória”.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Tarefa difícil.....





Desculpem, mas hoje não vou postar exercícios, quero apenas compartilhar.......


Realmente é uma tarefa dificil escrever, mas escrever e mostrar ângulos diferentes é um desafio, ainda mais nessa era da informação clara demais.


Quando a coisa está clara demais, acontece que, não surge o desejo de traçar novos caminhos, ou seja, está tudo pronto, é só chegarmos e copiarmos.


As partituras estão todas aí, com os segredos todos “desvendados” pela era da informação clara demais.


Se está tudo claro demais, surge a satisfação, o dever está cumprido. Cumprido quando, "descobrimos" as técnicas “breckianas”, e o “meu desejo” é logo saciado por fazer igual, então não vou mais além, porque a meta ja foi alcançada.


Os mais tradicionais, “adoram” a era do fraseado bebop, e tem um preconceito com outra linguagem.


Quando disse adorar, disse com uma conotação religiosa mesmo, pq erguem-se altares, para uma linguagem e única, essa linguagem e única é o conceito de que “tal” estilo é “O MELHOR ESTILO MÚSICAL”, e fazem dessa linguagem um “deus”. E o que é diferente desse “deus”, é coisa ruim, não presta. Ou seja, outros estilos músicais, ou melhor, de expressões da multi-linguagem músical, é tido como se fossem do capeta!!!


E nessa desordem psicológica-músical, a frase que os move, no fundo no fundo, é a seguinte:


Não suportarás o existir da arte do seu próximo.


É de ficar maluco, quando surgem aquelas frases, a música é espiritual, ainda cita os ícones do jazz, para justificar sua busca a essa musicalidade espiritual.


Mas é uma espiritualidade que não respeita o gosto do próximo. Uma arte assim, é inócua e vázia.

A liberdade da CRIA-ATIVIDADE, nunca baterá na portas desses.


Outro dia ouvi uma frase que explica a medíocridade, ou melhor, a revelação de que a criatividade não faz morada ali, foi mais ou menos assim:


“ O “fulano de tal” falou, que muito cara não faz condução de jazz no baixo, o que esse “Organista” faz com a mão direita.”


Como se o fato de dizer que o “fulano de tal” precisasse falar para validar o que ele já sentiu, mas se o “fulano de tal” não falasse, acho que ele desconfiaria do seu sentimento, ou na pior das hipóteses para querer justificar sua opinião pra mim.


O meu silêncio é a minha “concord-ÂNSIA”.


Isto porque está tudo claro, se está tudo claro não há nada de novo, e isso vai permeiando a psicologia-músical dos dias de hoje:

Falta de humildade, porque está tudo claro, “está tudo aí”, “eu sei tudo”, “sei o que é bom e o que é ruim”.


Quando está tudo claro, está tudo concluído, o educador-escritor-psicanalista Rubem Alves, em seu livro “Lições de feitiçaria”, mais ou menos assim: A Conclusão faz parar o pensamento....


Ou seja, Se eu conclui, pra que ficar pensando mais no assunto?


Desculpem se estou tomando tempo, mas compartilhar sempre é bom.....


Pensem nisso:

Não tenham na clareza da informação-conclusão dos dias de hoje, como a meta a ser alcançada, se não, estaremos apenas entrando, no caminho da morte da LIBERDADE e da CRIA-ATIVDADE.


quarta-feira, dezembro 26, 2007

Um bate-papo com o saxbrother João Pipe, e a "saxgirl" Patrícia ....parte 1


João Pipe:

"olá wagner venho lendo muito seu blog,,também ja vi vc tocar co o pixinga.parabéns,,então na matéria sobre matematica que vc escreveu entendi assim se tenho uma escala de E7+ faço o arpejo 1357 e depois saio da outra terça( no caso na terça ab)???"


É exatamente isso. O próximo arpejo sairia da terça. Depois sairia da quinta, e assim sucessivamente.



Patrícia e João:


O Ciclo das quintas nos ajuda a passar pelos 12 tons, numa forma crescente de acidentes (sustenidos e bemóis) a cada escala que toco, vai surgindo apenas “1” acidente diferente. É como aprender e executar um sustenido ou bemol diferente, de cada vez.


Exemplo:


Começaremos pelo C. Depois que tocarmos todos os exercícios que estamos aprendendo aqui no blog, e os mais que você tenha aprendido e criado. Podemos perguntar o seguinte: Qual a próxima escala que devo abordar?

Daí entra o ciclo das quintas. Se eu já estudei o que sei na escala de C, então estudarei a quinta de C, Qual é a quinta nota de C Wagner? Justamente o G.


Qual a diferença entre a escala de C para a escala de G?

Apenas uma nota.


Na escala de C todas as notas são naturais, enquanto na escala de G existe 1 sustenido, o F#.



Depois que estudar vc tocar os exercícios da escala de G, parto para a próxima escala. É nessa hora “a próxima escala”, que uso o ciclo das quintas como orientação. Por isso esse desenho abaixo na forma de um relógio.





Aí sigo para a escala seguinte. Qual a 5º nota de G Wagner? o D, e assim siga esse nosso relógio como orientação para tocar os 12 tons.



Veja que é uma forma didática bem interessante, principalmente para iniciantes.


Espero ter esclarecido o lance do famoso: "O Ciclo das 5º quintas" (rsss..)

domingo, dezembro 16, 2007

"saxbrothers"

Oi João Pipe e Patrícia.......

Tenham um pouquinho de paciência, que nesses últimos dias, tenho trabalhado bastante, mas não esqueci de vocês não. Nessa semana, postarei as respostas.

E "Wa-leu" pela presença de vocês no blog, isso me incentiva a continuar escrevendo, e postando novas matérias.

Patrícia, sou de São Paulo. Leciono aulas particulares, e também aulas via net, se tiver msn, me adicione:

wagner_barbosa_sax@hotmail.com


Até mais "saxbrothers"

terça-feira, agosto 07, 2007

Afinador para que? Só para “afinar-a-dor”?



Conversando com um “sax-brother” do Pará, ele me perguntou sobre afinação. Sua dúvida era a seguinte: Porque quando afino os graves, os agudos não afinam? Ou porque quando afino os agudos os graves não afinam?


Respondi dizendo: Eis aí uma espinha no calcanhar da maior parte dos saxofonistas.


Também passei por esse mesmo problema, principalmente no início de minha carreira profissional, tanto com gravações e em apresentações ao vivo, já tinha uma certa habilidade técnica, mas pouco preocupado com afinação. Com o passar do tempo, com vários desencontros na afinação entre graves, agudos e super-agudos, achei a solução: descobri o afinador !!!! Pois é, num breve momento achei o remédio da minha vida saxofonística, um afinador!!!!


Foi realmente “afinar a dor”, minha dor só afinou, como se afinar, seria somente curar a dor (risos).


Logo percebi a dor que tinha afinado, você deve estar se perguntando: como assim Wagner?


Veja bem, para o saxofonista que está tendo esse problema, o pior dos casos achar que um afinador vai resolver seu problema, assim como também achei. Psicológicamente, esse aparelhinho, joga contra você, e não vai resolver em nada, já tive algumas “crises” com isso.


Liguei para o meu antigo professor para conversar sobre isso, e ele disse que a solução desses desencontros na afinação entre graves e agudos, estariam nos estudos harmônicos. Aceitei o conselho, e quando desliguei o telefone pensei:


Porque o afinador, não resolveu meu problema?


Pensei.....Testei......Pensei......Testei......Pensei novamente.......e Testei por diversas vezes............e..................


Minha conclusão foi a seguinte:


O afinador causa um desvio psicológico na resolução desse problema. Veja bem esse desvio psicológico:


Quando colocamos o afinador na nossa frente e sopramos, em quase 90% dos casos, sopramos de forma diferente daquela forma que usamos para tocar pra valer. Perceba como aquele ponteirinho, ou aquela “luzinha verde” nos seduzem a soprar diferente.


Então mexemos a boquilha pra lá e pra cá, tocamos uma nota no agudo e conseguimos afinar, mas quando vamos pros graves, a notas não afinam, e nesse tempo, começamos a brigar com nossa embocadura. E por fim, você pode até ter afinado, mas...............com uma embocadura diferente daquela que usa para tocar.


E quando se vai tocar, a embocadura já mudou de novo.


Daí, nesses casos, o “AFINADOR” não nos serviu de nada, e jogamos contra o nosso próprio ouvido, ou seja, quando estamos tocando pra valer, ouvimos que não estamos afinados, mas pensamos: como? Se eu afinei com o afinador?


Aconteceu-me em alguns pequenos momentos no ínicio, uma “loucura”, de achar que todos os outros instrumentos estavam desafinados (risos), posto que, eu tinha a certeza que meu sax tinha afinado com o afinador. E nesses casos de “loucura”, você estará bem afinado com a dor da desafinação (risos).


Sem falar que tendo esse problema, daqui a pouco você vai achar que o problema, ta no seu sax, em alguns casos pode até estar mesmo, mas depois que o sax volta do luthier, o problema persiste.


Como resolver este problema?


Só estudos de notas longas harmônicas, com variação nos volume de piano à fortíssimo.


Porque como você poderá perceber, ou quem já estuda notas harmônicas, já deve ter percebido isso, tocando notas harmônicas, uma mexida considerável na sua embocadura, a nota já muda sem você querer. Daí a correção da sua embocadura para não ter mais variações na afinação, se dará no fato de tocar em vários volumes diferentes.


Pense nisto !!!!

sexta-feira, junho 08, 2007

Matemática a seu favor !!!!!!

Quando comecei a estudar com um saxofonista de jazz, fiquei encantado com seu fraseado em vários tons, e como não tocava e nem tinha o costume de estudar em certos tons, meu próprio limite me desanimava.

Daí, conheci vários padrões de aprendizado, estudando no ciclo das 5º quintas, que é o mais recomendado para iniciantes, pelo fato de mudar uma nota por vez. Veja o exemplo começando pela escala de C:







Note que o segundo exemplo, já usando a equação dos ciclos das 5º quintas, portando G é a 5º nota de C. Esse segundo exemplo se da então na escala de G. Entre a escala de C e a escala de G, o que muda é que na escala de C o F é natural, e na escala de G, o F é sustenido (#). Por isso que para o iniciante esse ciclo das 5º quintas, é o mais recomendado.



E um outro estudo interessante é a abordagem de meio em meio tom, que é o que mais gosto, porque me exige mais, e também me dá mais liberdade técnicamente na hora do improviso.

Segue alguns exemplos:




Ou em arpejos maiores com 7+




Esses dias meu aluno me perguntou: “Wagner, como faço para transportar uma frase de G para o tom de A?”.


Com certeza me veio na hora a lembrança, de quando estudava e não conseguia também enxergar além do tom, ou ainda mais, quando eu não via a matemática nas frases. Sempre ouvia falar que a música também é matemática, mas não conseguia ver os números. E no começo tinha uma dificuldade enorme de transportar. Mas quando comecei a estudar harmonia, e começar a ler as notas, como graus/números, comecei a notar os números. Tríade (T 3º 5º) . E tétrades (T 3º 5º 7º ).

Ou seja tenho uma escala de 7 notas.




Então ficava treinando os arpejos, vamos por exemplo pegar E7+:









Quando subia meio-tom, tinha que fazer a mesma montagem (T 3º 5º 7º) só que no de F:






E assim seguia para os 12 tons, tinha que sempre pensar qual era a 3º terça dessa, qual era a 5º quinta da outra, e qual era a 7º sétima. (risos)


Depois de um tempo fazendo esse mesmo exercício de pensar, ficou tão automático, que quando toco ou estudo, o fato de pensar nos graus/números é a mesma coisa de eu pensar nas notas em si.


Minha dica, para quebrar esse paradigma de mudanças de tons:

Pense nas escalas quando você estiver num ônibus, tomando um banho, ou até mesmo naquele trânsito, tipo “Sexta em Sampa”, brinque com os números dentro das escalas.

Perguntas como essas:


Qual é a terça de Ab?

Qual é a quinta de Eb?

Qual é a Sétima de C#?

Qual é a 9º nona de A?

Depois vai dificultando......

Qual é a 6b de Ab?

Qual é a 11# de G?

Quantas vezes eu não fiz esses exercícios mentais no ônibus ao voltar do trabalho. Boas lembranças tive agora (risos)

Depois desses exercícios mentais, verá que não terá mais tanta dificuldade em querer fazer uma frase em vários tons.

quarta-feira, junho 06, 2007

Sempre um bate-papo !!!!

Recebi um e-mail muito interessante, perguntando sobre a didática do ensino de não se tocar a escala somente de tônica à tônica.


Eis o e-mail:


Olá , meu nome é "................" , Achei pertinente sua explicação em seu blog, sobre escala . Só gostaria de debater , se vc me permitir , é que seguindo a forma de se executar a sequência como vc defende , vc não está ensinando, a um aluno (inicial) , a dominar a escala de determinado tom, modo, ou escala pentatônica, árabe maior ou menor ou até memso a escala blues . A escala é a forma de pôr os tons e semitons numa ordem natural, porém, distinta ; começando o saxofonista a executar sempre uma escala pela nota mais grave dessa escala descaracteriza tal escala , é importantíssimo numa improvisação dominar a escala que se deseja explorar , da forma como ele é encontrada por exemplo :
Ré menor dórico : começara pelo Si, deixa de ser dórico e passa a ser lócrio .
concorda ?
aguardo resposta .
Abraços



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Resposta:


Pertinente sua dúvida.............


Seguindo o "contexto da explicação do blog", onde deixo claro na qual existe momento para tudo, e que nesse momento da explicação, o foco é: O avanço ou o desbloqueio "técnico/mecânico" de se abordar uma escala somente de tônica à tônica, e uma forma do saxofonista conhecer todo o instrumento. Considero e até uso como metáfora, que a parte física do instrumentista é a parte técnica/mecânica !!!!

Agora num fraseado de uma improvisação, posso começar, descansar e terminar pelo B(si) normalmente tendo como harmonia o Ré dórico, inclusive é a nota que dá o tempero dessa harmonia.

Tendo no contexto a minha "não explicação" dos modos gregos, foi pensando justamente em não complicar o iniciante. Fazendo-o primeiramente tocar e conhecer o instrumento, para depois explicar o que iniciante ja toca, e que ja não tem dificuldade de enxergar. Sendo portanto uma questão simples de "situa-lo" harmônicamente.

Teóricamente o que é um fraseado?

É uma combinação de notas dentro de uma estrutura harmônica, e com uma rítmica.

Meu modo de tocar e de ensinar é uma confluência da "liberdade do jazz". Sendo assim, não tenho no meu improviso, e não gosto, a prerrogativa "de ter que" começar e/ou terminar o meu fraseado dentro da estrutura de Tônica 3º 5º 7º.

Por isso a importância de ter a liberdade técnica, ter o instrumento na mão, porque o mais, é coisa SIMPLES e FÁCIL!!!

É questão só de "linkar", dentro de um bate-papo!!!

Abraços "........." e fiquei contente com sua dúvida.


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Para mais informações e dúvidas:

wagner.barbosa@yahoo.com.br


Novas músicas no meu myspace:

www.myspace.com/wagnerbarbosax


E ja está a venda, o DVD que gravei com Celso Pixinga, O Jogo:

http://www.editorahmp.com.br/sitenovo/produto_novo.asp?shw_ukey=39199182815SKTNAB5

domingo, abril 15, 2007

Equacionando







No artigo anterior, falei sobre o mito de abordar as escalas somente de tônica à tônica, e as implicações de não se abordar toda a extensão do saxofone, desde as notas mais graves as mais agudas que conseguir.


Agora podemos falar de como abordar técnicamente, ou na nossa linguagem saxofonística: mecânicamente, qualquer escala, é como equações matemáticas. Os padrões e formas de abordagens são os mesmos para qualquer escala, e arpejos, por exemplo na escala de C (C, D, E, F, G, A, B), usaremos a linguagem de 4 em 4 notas, sempre começando pela nota mais grave (vide a legenda das cifras):



e assim segue até as notas agudas .




Podemos fazer de outro modo nessa mesma equação de 4 em 4 notas, mas de forma descendente:



e assim segue......




E para descermos, faremos da seguinte maneira:



e assim descemos até o B grave.



E podemos descer, com essa mesma equação, de forma diferente ao exemplo acima:





O mesmo exemplo na escala de D:




Ou, de uma outra forma usando a equação de 4 em 4 notas:







E para descermos:


e descemos até o nosso B grave.




Ou podemos descer de outra forma:





Agora essa equação de 4 em 4 notas na Pentatônica.

Pentatônica de C:




Ou até mesmo os arpejos, por exemplo:

C7+:



Essa forma de equacionar a abordagem e consecutivamente o estudo de qualquer escala, arpejos, é que podemos localizar onde está ocorrendo a deficiência, ou seja, em qual região do instrumento que você ainda não tenha facilidade de tocar. Gosto muito desses estudos, de tocar trecho por trecho, porque você acaba virando o seu próprio professor, e você começa a ter consciência de seu nível técnico.



Lembro-me que no começo desse meu estudo, eu particularmente tinha muita dificuldade nos graves, daí escolhia uma determinada escala e arpejo, e ficava repetindo.

Acho interessante focar o estudo, tudo tem sua hora, e para a evolução técnica também tem sua hora, como um corredor de uma São Silvestre, sem a parte física bem treinada, e em dia, o corredor não terá êxito na corrida, ele pode ter uma boa respiração, concentração, mas se isso não estiver alinhado a parte física, não chegará muito longe.

No próximo artigo continuarei a falar sobre abordagens.



*
Cifras:

C = Do
D = Ré
E = Mi
F = Fá
G = Sol
A = La
B = Si




contatos:

e-mail:
wagner.barbosa@yahoo.com.br

Youtube:
myspace:

Msn:
wagner_barbosa_sax@hotmail.com



Matéria sobre o cd BOSSA-JAZZ de Celso Pixinga, na qual participei de uma das faixas:http://www.coverbaixo.com.br/view.asp?PLC_cng_ukey=39122124155YJK5PG8

terça-feira, abril 03, 2007

Visualisando o Saxofone








Quero começar nessa minha primeira matéria, falando sobre o mito de tocar escala só com o propósito de conhecer as notas da escala, sem se dar conta da extensão de todo o saxofone, por exemplo:



Geralmente quando começamos a tocar a escala, iniciamos pelo o nosso C grave, e daí tocamos até o C 8º acima ou 2 - 8º acima, e descemos “bonitinho”, e terminamos no C grave novamente.




E nisso segue para todas as escalas que tocamos, para conhecer as escalas e etc. Só que nessa entramos no vício de não abordar todo instrumento quando estudamos qualquer escala, daí quando se vai improvisar não enxergamos toda a extensão da escala no saxofone. No exemplo abaixo eu abordo a escala de C, começando pela nota mais grave do instrumento (*vide no fim do texto a legenda das cifras), exemplos:


E assim segue abordando de 8 em 8 notas.


O mesmo exemplo só que na escala de F:


E assim segue para os agudos, toque até onde for mais confortável de início, e depois avance gradativamente para os “super-agudos”.


Lembro que um cara chegou para estudar comigo, e como de costume, fiz várias perguntas sobre seus conhecimentos, e dentre essas perguntas, disse-lhe: “.....” toque para mim a escala de A. Prontamente ele começou a tocar de forma crescente a escala

Logo pedi para tocar desde a nota mais grave à nota mais aguda que ele conseguia da escala de A, nas primeiras notas graves já surgiu a falta de conhecimento de toda a extensão do instrumento, se eu fosse pedir de escalas como de Ab, ou de C#, com certeza a coisa complicaria mais ainda.


Quero enfatizar que a abordagem de escalas nessa fase, deve ser estudo técnico não importando a sonoridade melódica! O uso melódico de escalas se dará no tempo de seu estudo de improvisação com play-backs. Ora isso tem implicações técnicas muito grande, de tal modo que quando enxergo toda a extensão de qualquer escala no instrumento, na hora de improvisar, não ficarei evitando certas regiões do saxofone, muito pelo contrário, só aumentará minhas opções de criação.


*Legenda

C = Dó
D = Ré
E = Mi
F = Fá
G = Sol
A = La
B = Si

Na próxima matéria continuarei a falar sobre abordagens e alguns padrões.


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wagner.barbosa@yahoo.com.br

myspace:
www.myspace.com/wagnerbarbosax

msn:
wagner_barbosa_sax@hotmail.com

Matéria sobre o cd BOSSA-JAZZ de Celso Pixinga, na qual participei de uma das faixas:
http://www.coverbaixo.com.br/view.asp?PLC_cng_ukey=39122124155YJK5PG8